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O que é realmente necessário para avaliar a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

A endocrinologista americana Andrea Dunaif esteve em uma discussão sobre critérios diagnósticos da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) no congresso americano anual de Endocrinologia, o ENDO 2019, que aconteceu em New Orleans, Estados Unidos, em março desse ano.

Há muito debate entre os especialistas sobre o que deve ser considerado para diagnosticar uma paciente como portadora de SOP. Nos Estados Unidos, os pacientes precisam passar, em média, por quatro endocrinologistas antes de terem o diagnóstico estabelecido.

Ela falou sobre os critérios clínicos da SOP, com os sintomas de excesso de andrógenos (acne e aumento de pelos no corpo, entre outros) e das alterações metabólicas da SOP (diabetes, pré diabetes, síndrome metabólica) e, no caso de haver esses sintomas sugestivos de SOP, quais seriam os exames realmente necessários para as pacientes.

Ela mostrou que, mesmo usando diferentes critérios diagnósticos para SOP, quando se faz a análise genética das pacientes, não há diferença genética. Então, não há necessidade de complicar tanto para estabelecer o diagnóstico de SOP. Podemos usar critérios mais amplos para estabelecer o diagnóstico e para começar a tratar essas pacientes.


Quais são os exames realmente importantes?

Uma das mensagens mais importantes é de que não é essencial fazer um exame de imagem (como a ultrassonografia) para ver a forma e as características dos ovários; não é essencial que haja micropolicistos para que se estabeleça o diagnóstico de SOP.

Deve-se fazer a dosagem de Testosterona total e livre, para avaliar se há aumento dos níveis de andrógenos e também avaliar o nível de SHBG (proteína ligadora de andrógenos). A verificação laboratorial do aumento dos andrógenos associada à história clínica de irregularidade menstrual praticamente define o diagnóstico de SOP, desde que sejam excluídas outras causas, como Hipotireoidismo, aumento de Prolactina e Hiperplasia Adrenal Congênita, entre outras.

No caso de pacientes que também apresentem sobrepeso ou obesidade, é importante avaliar aspectos metabólicos e excluir diabetes com o Teste de Tolerância à Glicose Oral de 2 horas. Nessas pacientes, o uso isolado da Hemoglobina glicada (Hb1c) pode não ser suficiente, já que elas cursam, principalmente, com hiperglicemia pós-prandial. Também é importante fazer avaliação do perfil de colesterol (HDL-Colesterol e LDL-Colesterol), já que, com frequência, essas pacientes podem cursar com Síndrome Metabólica (farei um artigo em breve para falar sobre o que é Síndrome Metabólica).


Tratamento e seus objetivos

Costumam haver duas questões principais do ponto de vista terapêutico da SOP:

  1. Preocupações com o peso e com as questões metabólicas (diabetes, intolerância à glicose, resistência insulínica, esteatose hepática, entre outras);
  2. Preocupações com o excesso de andrógenos e com os problemas relacionados, como queda de cabelo, acne, aumento de pelos no corpo.

No primeiro caso, medidas que foquem a redução do peso, com mudança alimentar e atividade física costumam ser muito efetivas. A Metformina pode ser de grande ajuda na regularização dos ciclos menstruais. Costuma-se fazer um teste por, pelo menos, 6 meses, para avaliar a resposta à Metformina.

Para as mulheres mais preocupadas com o excesso de andrógenos, costuma ser muito eficiente o tratamento com anticoncepcional oral associado às medicações anti-androgênicas, como a espironolactona.

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